domingo, 23 de setembro de 2007

Como é que tu bate no meu carro?

Eu tinha acabado de sair da garagem do shopping, chuva caindo de balde e, na segunda sinaleira fechada, parei atrás de um Clio. Eu mal tinha parado e o carro da frente começou a vir pra trás. Senti o tamanho da merda que ia acontecer e buzinei pro motorista se ligar que o carro tava 'solto', mas três segundos depois deu pra ouvir o bum. Liga pisca alerta, tira o cinto, olha pra chuva que não dava trégua, respira fundo e sai do carro pra ouvir desculpas e ver se nada tinha acontecido. Depois de eu já estar na chuva, saiu uma mulher do Clio que chegou perguntando toda cheia de razão: como é que tu bate no meu carro?
Sabe quando a vida não te preparou pra uma situação dessas? Sabe quando a boca abre, a cabeça pende um pouco pra direita, os olhos param no tempo, a respiração trava por um segundo e o cérebro só faz hã?! Sabe quando tu que normalmente tem resposta pras coisas sofre uma pane interna? Eu só respondi: mas foi a senhora que veio pra trás. A mulher negou, óbvio, e eu ainda tava com aquela cara de idiota quando vi que não tinha sido nada, ao menos no meu carro. Mas foi só fechar a porta que uma série de respostas começou a pipocar na minha cabeça:
- Como é que tu bate no meu carro?
a) É meu passatempo de final de semana, eu buzino pra avisar que vou bater.
b) Sua anta (nunca senhora) foi tu que deixou o carro correr pra trás.
c) Se tá em dúvida sobre qual deles é o freio, filha, aposta na coluna do meio.
d) Hellooww!!!
e) Se o pé tá cansadinho, usa o freio de mão.
f) Senhor, ela não quis dizer isso, ela não quis dizer isso...

Mas o que realmente mais me dói, é que eu ainda fui educada, chamei a mulher de senhora.

7 comentários:

marcia disse...

uma vez aconteceu a mesma coisa comigo. quer dizer, foi diferente: sinal fechado, ela deu uma ré e bateu no meu carro. é, ela deu ré. liguei o alerta e estava descendo, quando o sinal abriu. a #%$*#@*&# arrancou.

um dia te conto como me vinguei. :)

Débora Elman disse...

Comigo foi diferente, eu é que dei a ré.Não foi na Marcia, viu. Fui me meter a andar de carro automático, mas não tinha automatizado o cérebro.Eu coloquei a marcha errada e pum. Foi na garagem, sem testemunhas. Agora o mundo já sabe, tá no Calçolas.

Enio Luiz Vedovello disse...

O complicado é que a lei presume que quem está atrás tem mais controle da situação, então em princípio é o culpado da colisão. Até provar que focinho de porco não é tomada...

Maroto disse...

fazer bobagem e botar a culpa nos outros é um talento perverso de algumas pessoas

Eva disse...

A falta de noção é a grande pandemia do século XXI, vai dizer que não? Adorei a tua alternativa de resposta a. Também tenho relatos de coisas incríveis que já me aconteceram no trânsito, vou guardar prum post-erior. Entendeu a sacadinha? Post posterior, post-erior... (pior é que eu ainda explico). Bjs

venuss disse...

MARCIA: fiquei curiosíssima! preciso saber como foi a revanche.

DÉBORA: abre o teu coraçãozinho, tu e a garagem guardaram todo esse tempo a história da ré que não era pra ser ré?

ENIO: pois é, né? a culpa normalmente é de quem tá atrás. Da próxima, eu engato ré e me engato no carro de trás, assim a culpa vai ser dele.

MAROTO: fico pensando de quem é a culpa de existirem pessoas que só botam a culpa nos outros.

EVA: continuemos nossa saga contra os sem-noção.

Elenice disse...

amei essa! eu tenho uma linda prá contar prá vocês. quem sabe ela fique interessante na mão de uma boa redação. bjs