sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Coisa de mãe

Enquanto a Eva conta algumas das maravilhas (e outras nem tanto ) de ser mãe, eu ainda faço só o papel de filha. E quero dar o meu depoimento do lado de cá da maternidade.

Quando eu tinha 11 anos, ganhei um gato ruivinho. Lindo. A gente vivia grudado. Ou melhor, eu grudava nele e ele com toda aquela delicadeza e destreza felina, se esquivava nas vezes em que eu apertava demais. O Mina era o meu companheiro. O gato que eu sempre quis ter. E tinha. Sentava no meu colo enquanto eu fazia os temas de aula. Mais tarde, esperava no muro quando eu voltava da faculdade pra mostrar o quanto eu fazia falta. Ele dormia e acordava comigo.

Quando vim pra Porto Alegre, ele ficou na casa da minha mãe, porque aquele era o seu lar. Mas ele sempre me reconhecia. Quando eu voltava pra casa, me recebia como se eu nunca tivesse saído dali. Quando falava por telefone com a minha mãe e ele estava por perto, eu chamava Miiiinnnnaa, e ele levantava as orelhinhas pra me procurar, palavras da minha mãe.

No início de outubro, ele fez 16 anos e já estava velhinho e doente. Há mais de um ano ele vinha meio guenzo, mas ainda era o rei da casa, o meu tigrinho. Nestes últimos tempos, comecei a conviver com a idéia de perdê-lo. As lágrimas vinham ao primeiro pensamento e eu só me via aos 11 anos imaginando que aquele gato seria eterno.

Hoje à tarde minha mãe ligou. Num tom de voz estranho, disse que as coisas não estavam bem. E, como se eu ainda tivesse 11 anos, pediu pra que eu acendesse uma velinha porque o Mina estava no céu.

Só uma mãe pra encontrar uma forma tão sensível e delicada pra dizer que o meu bichinho não está mais aqui.

8 comentários:

ale disse...

Querida!

Greyce disse...

Mãe, irmão e bichinho nosso são referencias muito fortes na nossa vida... perder um deles é inimaginável e dolorido...

com lágrimas,

Greyce.

Enio Luiz Vedovello disse...

De fato, uma sensibilidade de mãe. Sem mais o que dizer...

venuss disse...

ALE: sim, muito querida a minha mãezinha.
GREYCE: não preciso dizer mais nada. Tu explicou muito bem como tudo funciona.
ENIO: é coisa de mãe, mesmo.

Eva disse...

Querida, mas me encheu os zôio d´água de ler isso! Eu já sabia do passamento do Mina bichinho delicado e perspicaz como só um felino pode ser, né? Se foi bem no dia de finados... Mas o que me comoveu ao ler teu texto foi a queridice da tua mãe na forma com ela te contou. Beijo

venuss disse...

EVA: o detalhe é que ele se foi no dia 1º, no início da noite. Mas a minha mãe só teve coragem de me contar no dia 2, às 3h da tarde. Ela disse que não sabia o que era pior: lembrar do Mina ou pensar que ela tinha que me ligar.

Maroto disse...

bah, chorei. Por ti e pela tua mãe, porque o Mina tudo indica que teve um vidão.

venuss disse...

ah, MAROTINHA, é por isso que eu digo que qdo eu nascer de novo, quero nascer gato, mas na minha casa ou na da minha mãe.
;-)