segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Bem na hora do almoço

Tava eu sentada no sofá, almoçando enquanto assistia a Festas de Nigela (acho que gosto de almoçar assistindo a programas de culinária pq mastigo sem olhar pro prato e sonho que estou comendo aquelas coisas deliciosas que ela faz). Ouço o celular tocando no quartinho onde trabalho - que seria a dependência de empregada do apê. Atendo o dito em horário de almoço (erro número 1), sento na cadeira do micro e fico ouvindo o cliente passar suas considerações e dúvidas sobre o trabalho quando vvvrruummmmm, uma coisa passa voando por cima da minha cabeça. Traumatizada com a história do morcego que pousou nas minhas madeixas enquanto eu dormia (essa história eu conto numa outra hora), só me abaixei e tentei identificar o que era. Nisso a Lisbela que até hoje nunca tinha miado, começa a soltar miados agudos duplos em direção ao bicho que naquele momento consegui identificar: um pequeno pássaro burro. A cena que se seguiu incluía uma ruiva abaixada com o celular na orelha, um pássaro se debatendo contra o teto e as paredes e uma gata ensandecida miando e tentando escalar qualquer coisa que a deixasse mais próxima da ave. Lembrei da Eva lutando contra o bicho preto peludo que dividiu o carro com ela por instantes.

Abri toda a janela do quartinho, a da área de serviço aqui do lado, por onde o passarinho entrou, já estava escancarada. Peguei uma vassoura e tentei conduzir o bicho pra fora da casa. Por 42 minutos eu tentei. Juro que tentei. Com vassoura, pano de prato, sinal de mão e uns gritos de susto. Pulava de uma cadeira pra outra pensando que conseguiria guiar o bicho até a janela, mas ele insistia em voar só na altura do teto. Detalhe, alternava os pulos nas duas cadeiras de escritório, dessas giratórias que quase me renderam um dente quebrado, porque crianças não devem pular em cadeiras de rodinha.
Lembrei de uma canga grandona, de tecido levinho, talvez esta fosse a resposta. Tentei capturar o bicho com ela, mas mesmo ele estando ofegante e mais lento em razão do cansaço, a canga não foi a solução para os meus problemas. E eu cansada e ridícula pulando nas cadeiras de pijama (sim eu ainda não tinha tomado banho, tava terminando um freela urgente), com a janela aberta e sacudindo uma canga colorida. Quando eu vi que já haviam passado mais de 40 minutos, resolvi partir pro desespero e jogar a canga pra cima dele. Numa dessas ele se enrolou no tecido e perdeu altitude, foi aí que encontrou o caminho na altura da janela aberta e saiu voando em linha reta.
Arrumei a bagunça do quartinho, recoloquei a lâmpada do teto que fiquei com medo de quebrar entre um pulo e outro e fechei a janela. Limpei o cagão da ave na minha pilha de livros e sentei aqui pra contar isso tudo. Agora preciso de um banho que abanar canga no horário do almoço faz a gente suar.

4 comentários:

Eva disse...

Queridona, tu podes até estar suada, mas que rendeu um post muito engraçado, rendeu. Morri de rir. Confesso que no começo da leitura fiquei altamente preocupada com a possiblidade do passarinho não ser tão burro, achar a janela e tua gata sair atrás tentando bancar o Super Gato e gastando as 7 vidas num pulo só. Ainda bem que o pássaro era burro, pensei eu. E nada como ser jovem, né? Eu aqui, cochilando na frente do micro, e tu, feliz da vida, saltitando nsobre cadeiras de rodinhas enquanto abanas cangas bordôs. Bjs

ale disse...

Mesmo não te conhecendo pessoalmente fiquei imaginando a cena e dei boas risadas!! Curiosidade: e o cliente ao telefone? Como ficou?

venuss disse...

ALE: o cliente no telefone acho que não percebeu, pq tentei ficar calma e sem mudar o tom de voz. Agora pergunta se eu lembro de uma palavra do que ele disse? hahahahah

venuss disse...

EVA: nem me fala, fiquei preocupada em abanar a canga pra espantar o pássaro e com outro olho cuidando da gata pra ela não pular da janela. Calma, um gato no céu de cada vez. E a tua 'pescada' na frente do micro deve ter sido algo digno de gravação. O que uma dissertação não faz com as criaturas?