quarta-feira, 4 de junho de 2008

Salsichão

Já falei das verduras, já falei dos legumes (os aipim são legumes, né? Aipim não é fruta, não é laticínio, não é ovo, não é carne, nem iogurte, nem artigo para festa - se bem que deve ter aí uns vídeos com usos pouco ortodoxos pro pobre aipim, mas enfim, normalmente não é um artigo pra festa -, não é higiene, muito menos limpeza, e também não é papel higiênico, porque esse é o papel do sabugo de milho. Conclusão: aipim só pode ser legume. Desculpe esse papo longo, mas minha mente anda obnubilada pelo pó da lixação da massa corrida. E se o aipim não for um legume, pelo menos você saberá que me esforçar pra buscar a classificação do aipim e que eu não tratei o apim com leviandade). Mas então, depois das verduras e dos legumes, é hora de chegar ao açougue, dando seguimento às narrativas sobre a convergência entre construção civil e questões alimentares.
Nossa quase casa nova tinha um anexo com churrasqueira que, além de feio pacas, era enorme e ocupava praticamente metade do pátio. Como queríamos muito um pouco mais de grama, um cão e quiçá desenvolver o lance das alfaces, proposto pelo Zé, derrubamos o tal puxadinhozão. E colocamos uma churrasquerinha dentro de casa, claro, porque somos uma família que não sobrevive sem um belo e malpassado churras.
Essa demolição marcou o advento do triunvirato do Maureci, do Zé e do Valdeci no nosso território. Eles chegaram e começaram a derrubar o tal anexo. Trabalharam vários dias, foram tirando telhado, depois paredes, mas deixaram a do fundo, a da churrasqueira. E seguiram trabalhando tirando piso - e a churrasqueira ali. E tiraram os fundamentos. E a churrasqueira ali. E tiraram o entulho - e a churrasqueira ali, linda, forte, um monumento à gauchidade bem no meio do nosso jardim. E assim se passaram os dias, e então um dia chegamos na obra bem no fim da tarde, e descobrimos porque a tal churrasqueira não saía dali. O pessoal estava assando salsichãozinho, coraçãozinho e uma beleza de vazio pra alegrar o fim da tarde da sexta-feira e comemorar o findi.
(Obrigada, maridão, pela idéia desse post)

6 comentários:

Fernanda Barroso disse...

Que "beleuza, creuza!". Então vc. nem precisa sair de casa pra curtir um happy hour na sexta? Muito chique essa sua obra.

Toninho Moura disse...

A invasão continua...
Na próxima fase, trarão alguns parentes!

Cláudia disse...

Ô beleza, heim? Pelo menos o churrasco estava, bom? heheehhe

bjs

Enio Luiz Vedovello disse...

Eva, para mim, na minha implicância natural, legumes são feijão, ervilha, lentilha, vagem, etc.
Mandioca (aipim, em gauchês), cenoura e afins são raízes.
Tomate, pepino, beringela, etc são frutas. Por mais que todos discordem.

Eva disse...

Fernanda: preciso sair de casa pro churras, sim. Não moro na casa nova ainda. Mas um dia isso muda. E eu me mudo.
Toninho: os parentes estão lá, todos. O Maureci, o Zé e o Valdeci são irmãos. E o Marlon, que também trabalha ali, é filho do Valdeci.
Cláudia: o cheiro do churrasco tava ótimo, isso eu posso garantir.
Enio: adorei a reclassificação hortifrutal.

venuss disse...

Antes da obra acabar eles ainda vão convidar as patroas pro churrasco na laje.