quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vida no centro

Eu já comentei sobre as maravilhas do centro de Porto Alegre em dia de chuva, mas hoje pude observar um outro centro, sob um ângulo totalmente novo e inesperado. Eu estava indo almoçar com duas amigas e o carro quebrou. Parou de funcionar. Apagou. Morreu. No meio da Mauá. Ainda deu tempo de aproveitar o embalo e entrar numa dessas ruazinhas transversais. Fiquei ali parada mais do que os 70 minutos que o seguro me prometeu. Deixei o carro em local proibido e fiquei na porta de um prédio comercial que ficava na esquina. Parecia a coisa mais sensata e segura a fazer. Nos primeiros 5 minutos, 3 caras que estavam na esquina começaram a me olhar. Já fiquei preocupada porque já tive péssimas experiências com pessoas me olhando daquele jeito, como quem está te cuidando. E todas aconteceram no centro. Mas não demorou muito pra eu perceber que o interesse que eles tinham em mim era outro. Foi só um deles entregar a 'mercadoria' que vi que eles estavam muito mais preocupados com o meu olhar em relação a eles.
E eu fiquei ali parada olhando o mundo correr e acontecer na hora do almoço. A fila de pessoas de cara cansada na parada de ônibus (as mesmas pessoas que se ocupavam me observando), o pessoal do prédio saindo apressado pra almoçar, as figuras coloridas dos vagões do trem (um vagão cheio de gatinhos divertidos), o porteiro do prédio veio conversar (ele já tinha me ajudado antes, quando empurrou o carro pra eu estacionar), a faxineira do mesmo prédio veio fumar um cigarrinho rápido pós-almoço e puxou papo sobre o tempo, os carros indo e vindo, os ônibus enormes fazendo muito barulho. E tudo era muito acelerado. A única coisa parada ali era eu.

Um comentário:

Eva disse...

venuss querida, que situação... Tomara que teu carro fique bom logo. E que a experiência dos fixos e fluxos te renda mais inspirações como essa. Achei tão baudelairiano e benjaminiano... bjs