quinta-feira, 26 de julho de 2007

Cocô

Entre as trocentas facetas fascinantes da maternidade, está a questão do cocô.
Antes de ter um filho, o cocô praticamente não faz parte da nossa história oficial. É algo a ser eliminado, da forma mais silenciosa e inodora possível, nos recônditos de um banheiro (de preferência o da própria casa - é ou não é horrível fazer cocô em banheiro de shopping, no WC do escritório ou em qualquer patente pouco familiar?) fechado a chave. Cocô não é assunto, nem objeto de interesse, quanto mais de contemplação. A gente não convive com ele e muito menos compartilha o cocô. É como se a gente não fizesse cocô, que nem a Gisele Bündchen (vai dizer que ela tem cara de quem faz cocô?)
Mas eis que a gente pare, e tudo muda de figura, inclusive nossa relação com o cocô.
Subitamente, a gente percebe a essencialidade do cocô. Não é só aquele papo Forrest Gump de que shit happens. A relação do ser humano com o cocô é bem mais profunda. Shit is part of our lifes. We are the shit.
Um nenê nos ensina coisas sobre o cocô que a civilização tentou fazer com que esquecessemos. A produção regular de cocô é sinal de que o organismo está bacana. Cor, cheiro, textura e tamanho do cocô dizem muito sobre o que se passa pelas entranhas. Cocô suja a bunda e não tem problema, a gente limpa (viva os lencinhos umedecidos - leia o post sobre isso). Dá pra fazer cocô na pracinha, na beira da estrada (minha filha uma vez fez oito cocôs num refúgio para carros na Freeway) e em vááários lugares antes inimagináveis, mesmo sem estar na Índia (onde segundo me contaram o pessoal tem uma relação bastante digamos pública com o cocô. Um dia ainda vou até lá pra ver) . E as coisas que a gente engole saem no cocô: pedrinhas, balões, o sapatinho da Barbie...
E tem também aqueles fatos superinteressantes, dignos dum programa do Discovery Channel. Por exemplo: o cocô de recém-nascido chama mecônio (parece nome de rei persa isso), quase não tem cheiro, é preto ou verde bem escuro, é igual a piche e o mais incrível: é normal. Cocô de criança que mama só no peito fede menos. Depois, no ranking odorífico, vem o cocô de quem só comeu vegetais. O mais letal de todos é o cocô de carne. Beterraba confere uma interessante coloração marrom-avermelhada ao cocô. E por aí vai.
Um filho faz a gente fazer as pazes com o cocô. O problema é que a gente fica tão à vontade com o assunto, que acaba perdendo a noção. E fazendo coisas tipo comentar longamente o cocô da criança num jantarzinho romântico com o marido, ou promovendo comparações envolvendo cocô (dos filhos, mas possivelmente há também quem fale dos próprios) com as amiga. Ou ainda, escrevendo longamente sobre isso num blog.
Que merda!

Um comentário:

Eva disse...

Puxa, ninguém comentou o meu cocô. Então comento eu mesma, huahuahua.