quarta-feira, 2 de julho de 2008

Publicitária? Não

Quem trabalha em casa como é o meu caso sabe que o telefone é o grande inimigo da produtividade. Sempre tem alguém querendo te vender algo incrível, sempre tem alguém que não sabe usar os dedos e erra o número e sempre tem alguma amiga salvadora que te liga pra papear um pouquinho (o pior de trabalhar em casa é a falta de ter alguém pra conversar, ao menos pra mim, porque passar o dia de pijama de quando em vez eu não vejo problema algum).

Pois agora eu fui descoberta pelos institutos de pesquisa. "Nós somos a empresa de pesquisa tal aqui de São Paulo e gostaríamos de saber se a senhora utiliza automóvel, fio dental, papel higiênico, sabonete com hidratante, serviços bancários, plano de saúde, faca elétrica, alucinógenos ou qualquer outra coisa que a gente queira saber da senhora".
Em função da minha pesquisa no mestrado, quando contei com a gentileza e disponibilidade de algumas mulheres que se dispuseram a passar horas e horas me contando coisas da vida delas, eu mudei minha postura diante de um pedido de pesquisa. Como sei que não é fácil essa vida de 'entrevistadeira', eu costumo participar, desde que eu tenha o direito de não responder a algo que eu não considere apropriado.
Um dia eu fiquei 1h30 respondendo a um questionário do Ibope no portão do prédio e ainda ganhei uma cartilha pra preencher com o meu consumo diário de qualquer item por uma semana. Passei hooooras respondendo, e agora eu entendo a cara de alívio, surpresa e agradecimento da entrevistadora quando aceitei participar.
Ontem, por volta das 19h, recebo um telefonema pra uma pesquisa sobre automóveis. Falei que concordava em participar e a primeira pergunta foi a cidade de onde eu falava: Porto Alegre. Ah, Porto Alegre é minha cidade natal. Eu vou praí na sexta-feira, meu pai mora em Canoas, mas agora faz X anos que eu moro em São Paulo. Eu trabalhava em Porto, trabalhava na rádio tal e rádio tal, mas aí decidi vir tentar a vida aqui em SP. Eu apresentava os programas tais e tais nessas rádios. Também trabalhei no programa tal da TV tal, sabe? E no final de semana vou visitar meus pais. É que devido ao frio do inverno e os problemas de saúde que ele acaba causando nas pessoas mais idosas, preciso ir com mais freqüência visitar os meus pais e blá, blá, blá....
Me senti no salão de cabeleireiro quando fiquei ouvindo sobre a vida de alguém que eu não conheço e a quem eu nem pedi pra me contar nada. Vai ver o cara cansou de ouvir sobre a vida das pessoas e resolveu soltar o verbo no meu ouvido.
Uns 4 minutos depois do conversê-monólogo ele pergunta: A senhora ou alguém que more na sua casa trabalha em algo ligado a publicidade, agência de propaganda?
Sim, eu sou publicitária, trabalho como freelancer.
E o desespero se instalou. Ah, mas é só como freelancer, né? Eu preciso consultar a minha supervisora, mas a senhora jura que é só como freelancer, né?
Alguns segundos depois ele muito triste por perder alguém disposto a responder diz que como eu sou uma formadora de opinião (?) eu não poderia participar da pesquisa.

E já é a terceira vez que sou discriminada por ser publicitária. E olha que eu tava a fim de responder.

E se alguém aí quiser fugir de uma pesquisa via fone de forma polida, diga que é publicitário que você já não vai mais servir pra coisa nenhuma.

No final do telefonema ele ainda pergunta se eu conheço alguém que não seja dessa área e que possa participar da pesquisa. E eu, maldosa
Ah, que pena, tenho mais de uma dúzia de amigas que iriam adorar participar. Pena que são todas publicitárias...

8 comentários:

lilith disse...

Amiga, e eu, fazendo compras no supermercado, uma dessas promotoras pede se pode anotar meus dados para me ligarem e fazerem as tais pesquisas,ok, na mesma consternação sua de pesquisadora, dei o telefone. Dias depois ligam, respondo, respondo, respondo, até chegarem no produto X, o foco da pesquisa. Detalhe, o tal produto X eu experimentei e DETESTEI. Bom, disse isso para o moço e ele, depois de um longo suspiro, disse: bom, então não podemos continuar.Como assim? Eu falei que não gostei e não querem nem saber o por quê? É, pesquisas e pesquisas...
Mudando de assunto, não me coloque na tua lista negra depois de eu desaparecer sem nem dar notícias, em breve falamos, a situação aqui está beeeem complicada...bjos

Cláudia disse...

venuss, venuss....aqui em casa é um tal de ligar me oferecendo cartão de crédito. Mas o que eles oferecem é sempre melhor que aquele que vc tem! cansei de dizer que não estava interssada, e bla bla, blá.... agora quando me oferecem um cartão eu digo: -Nossa este cartão de crétido caiu do céu! Estou "desempregada" (lógico que é mentira)! Pronto, na mesma hora o atendente muda de assunto (retornaremos outro dia) e desliga! rsrsrsrsrsr

venuss disse...

LILITH: pra esses tipo de pesquisa, a pergunta filtro deveria ser 'vc gosta do produto tal?' Assim poupava todo mundo.
E não, não te preocupa, sem lista negra pra ti. Eu continuo no mesmo lugar. Qdo vagar um tempo por aí, me avisa. bjs

CLAUDIA: essa do desempregada é uma boa, gostei. Eu tb costumo dizer que a dona da casa num tá e que eu só trabalho aqui.bj

Greyce disse...

Huahuahauhaua...
Adorei o desempregada!
Falar que é jornalista também funciona!

Maroto disse...

email é pior! E RSS dos blogs dos amigos!

Toninho Moura disse...

Acabei de adotar a sua técnica. A minha anterior era um pouco trabalhosa: gaguejar!
E... e... e... eu te... te... te... te... nho vo... vo... vo... n...ta...ta... de de fa... fa... fa... ze... ze... ze... zer chi... chi...

Japa Girl disse...

Já trabalhei em casa (e pretendo voltar em breve) e sei bem como é. Por isso instalei detector de chamada e não atendia nenhum número que não conhecesse. Quer falar comigo e não conheço seu número? Deixe mensagem na secretária. Se eu ligar de volta é porque me interessou, não?

Para recusar cartão de crédito, tem uma boa: meu nome tá no SERASA. Desistem rapidinho.

Beijos!

venuss disse...

GREYCE: quem mandou a gente fazer comunicação, nem participar de pesquisa a gente consegue. hahahahaha

MAROTO: mim não entender sua comentário.

TONINHO: e gaguejava sem risos? Da tua parte e da parte do pesquisador?

JAPA GIRL: serasa neles! Vou aplicar essa qdo for tentativa de venda.
E aqui a gente tb tem secretária, mas eu não suporto telefone tocando, preciso atender.