terça-feira, 9 de junho de 2009

Em busca do mondongo perdido

Cena 1
No domingo em que viaja a trabalho, marido recebe um não ao convite pra almoçar na casa da irmã, prato principal: mondongo.
À tarde, antes de partir para o aeroporto, despede-se da família e recebe um pote do precioso mondongo da sister. Mulher fica incumbida de congelá-lo para futura degustação.

Cena 2
Mulher viaja pra passar o final de semana seguinte na cidade em que o marido está a trabalhar.

Cena 3
Na terceira semana, mulher recebe feliz o marido trabalhador após a temporada de serviços fora do Estado.

Cena 4
Cinco dias após o retorno, marido começa a vasculhar o freezer em busca do mondongo recebido.

Cena 5 - flashback
Mulher pegando o carro na lavagem, chegando em casa percebe o extravio do lixinho do veículo.

Cena 6
Marido questiona a mulher a respeito do mondongo, iguaria pouco apreciada pela esposa.

Cena 7 - flashback
Mulher joga o ticket do estacionamento no lixo do carro e reclama sozinha do marido que enfiou uma sacola plástica vagabunda* no lugar. Lembra de nunca mais levar o carro na lavagem extraviadora de lixinhos.

Cena 8
Marido segue na busca pelo mondongo perdido. Sugere uma incursão ao carro, último ambiente em que a comida foi vista.

Cena 9
Antes de dormir, marido avisa mulher que o funcionário do prédio estará de folga por dois dias.

Cena 10
Na manhã seguinte, mulher realiza uma busca pormenorizada no veículo e descarta a possibilidade de encontrar por ali o desaparecido pote de mondongo.

Cena 11
Mulher chegando pra aula da manhã, estaciona o carro no sol.

Cena 12
Mulher deixa o carro quentinho do sol na garagem de casa por umas 4 horas.

Cena 13
O líquido viscoso que um dia fora mondongo promove um baile de carnaval em pleno mês de junho.

Cena 14
Mulher sai de casa ao cair da noite. Percebe um cheiro estranho ao abrir a porta do carro, mas atribui ao lixo do prédio que está parado na garagem há mais de dois dias.

Cena 15
Mulher dá a partida no carro e o mau cheiro toma conta de todas as células de seu corpo. O desepero começa a se instalar e a mulher resolve colocar o cheirador em funcionamento.

Cena 16
Ao apalpar a sacola que um dia foi considerada lixo improvisado pelo marido, encontra um pote estufado com mondongo de ressaca dentro de outra sacola.

Cena 17
Mulher segura o vômito com a mão esquerda enquanto a direita segura a sacola com o conteúdo assassino prestes a ser depositado no lixo.

Cena 18
Mulher comunica ao marido o fim das buscas: o mondongo finalmente encontrara o nariz desta que voz escreve.

Cena 19
Mulher agradecendo ao mondongo perdido pelos 3kg que emagreceu em função das lembranças olfativas.

FIM

* eu queria escrever xexelenta, mas não sei se é assim que se escreve ou se o correto é chechelenta.
** até a cena 18 é tudo real.

9 comentários:

Claudinha disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

como eu gosto de ler os seus posts!

kkkkkk, já na metade do filme eu imaginei o final....

sejamos sinceras: o tal de mondongo (tb conhecido como buchada, rs) não tem lá um cheiro muito, digamos, apetitoso... ainda mais depois de fermentar por dias no seu carroooo! kkkkkkkk

kkkkkkk tá bom eu paro!

Anônimo disse...

Quanto preconceito por um mondonguinho...
Tão bunitinho logo que eu o preparei para congelar...

disse...

o que raios é mondongo? pensei em CA-MUNDONGO!

hahahahahahahahaahhahahahaahahhahaa

Édnei Pedroso disse...

Posso usar isso num roteiro?

BordaGato disse...

comidinha cheirosa é a de mamãe.
bj

Enio Luiz Vedovello disse...

Triste. Realmente triste...

Um fim inglório para uma delicioda porção de bucho...

Toninho Moura disse...

"Mondongo". Como o gauchês é criativo, meu Deus!

Silvia disse...

minha nossa senhora. fiquei pensando toda a história o que seria um mondongo! hahaha
mas com certeza algo que agora não quero conhecer!!! kkkkkkkkkkkkk
aiiii que nojo!!!
Bjocas!!!

venuss disse...

Gente, mondongo é o mesmo que buchada ou dobradinha.
Capice?