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terça-feira, 28 de abril de 2009

Gramado Expedition 2009

Passeinho familiar em Gramado.
Tudo muito certinho.
Menos a Mariana, que saiu passeando pelas ruas usando uma lantenra de cabeça (daquelas de explorador de caverna), e obviamente a lanterna tinha que ficar acesa.
Além do enfeite luminoso de cabeça, ela levava e falava alto com um hipopótamo de pelúcia rosa (combinando com todo o resto da roupa dela, que era absolutamente rosa) de olhos de ressaca.
E carregava uma bolsa bordada cheia de pedras.
Pra que entrar em sites sobre bizarrices quando a gente tem uma filha de 5 anos?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Explicando os quadrinhos

Minha filha nem sabe ler ainda mas já adora as tirinhas de quadrinhos do jornal. Ou seja: quase todos os dias alguém precisa explicar pra criaturinha qual é a graça da coisa.

Na Zero Hora de hoje, por exemplo, o Frank dizia pro Ernest que nunca se sente tão aliviado como quando o noticiário da noite termina.

Então, primeiro, explico o que é noticiário (aqui em casa a gente assiste as desgraças do dia depois que ela vai dormir). Depois falo que no noticiário tem sempre muita notícia ruim, como coisas sobre terremotos e gente machucada. Finalmente, conto que o Frank prefere não ver as coisas ruins que acontecem no mundo.

E eis que a Mariana então rapidamente resolveu o problema do Frank, e também o meu e possivelmente o seu, querido leitor. "Então tem que ver o Discovery Kids, o Rá Tim Bum e o Canal Disney, que só passam coisas legais."

terça-feira, 14 de abril de 2009

Subindo no salto

Acho que tá na hora de eu me arrumar um pouco mais. Hoje a minha filha de 5 anos perguntou se eu usava salto. E depois perguntou se um dia, quem sabe, por favor, eu poderia talvez buscar ela na escolinha usando sapato alto.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

As time goes by

Sinal dos tempos.
Quando a gente era guri (no meu caso, guria), esperava os pais irem dormir pra poder tomar cerveja ou até - suprema ousadia - o whisky do pai, e fumar escondido bem perto da janela do banheiro.
Cena de folhinhas de calendário sendo arrancadas pelo vento. Leia-se tempo passando. Quando a gente tem filho, espera o pimpolho ir dormir e faz outras coisas perigosas pra saúde, tipo tomar refrigerante e comer o chocolate.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mamis

Essa é uma daquelas horas em que a gente agradece pela máxima 'mãe só tem uma'.

Mamis e filhinho (por volta dos 6) na minha frente na fila do correio, às 15h. Um calor infernal, daqueles de cozinhar os miolos e o espaço sem ar-condicionado. O sol entrando pela porta e estacionando bem no lugar da fila. A mulher se despede da atendente e o guri sai cambaleando em busca de uma sombra de árvore na calçada. Só escuto o questionamento da mãe: tu deu tchau pra moça, filho?
O guri se arrasta de volta e pára bem na frente da porta. Ergue os dois braços e grita: tttcccchhhhhaaaaaúúúúúúúúúúúúúúúú!!!!

Te juro que de longe parecia um 'tomanocúúúúúúúúúúúúúúúúú'!!!!!.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quero-quero

Filha única pra lá de desejada de uma moby (mother older, baby younger) só podia mesmo ser mimada. Mas algo me diz que ando exagerando. Ontem, a Mariana teve mais um surto de eu-quero-isso-e-eu-quero-aquilo-e-eu-quero-aquilo-outro-e-etc. E lá pelas tantas ela titubeou:
- Mamãe, eu quero...hmmm... eu quero...ãhn...quero...
Tentou, tentou, até que pediu ajuda:
- Ô mãe, o que é que posso querer, hein?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Alô, dona morte?

Minha cada dia menos pequenina filha anda intrigadíssima com a morte. Faz três meses que meu pai faleceu, e toda vez que ela dá tchau pra avó neo-viúva, manda beijos e abraços pra estrelinha mais brilhante do céu que é o vovô.

Ontem minha filha pediu pra telefonar pro avô. Falei que não dava. E ela rapidamente pensou numa solução. Toda feliz, decretou: "então vamos telefonar pra morte, que ela dá o recado."

Se a morte tivesse telefone, minha conta iria subir horrores. Eu viveria ligando, mandando recados pro meu pai. Dizendo tudo que, sei lá por quê, não falei quando ele andava por aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Obrigatoriedades e limitações

Depois que tive filha, acho que devia haver uma lei obrigando todo mundo - até os monges tibetanos do alto do himalaia - a achar muito, mas muito fofo o que as crianças fazem. Especialmente minha filha, claro.

Todos deveriam ser obrigados a sorrir docemente ao ver a minha criaturinha.

Todos deveriam tecer comentários elogiosos sobre a inteligência dela, até mesmo quando ela começasse a cantar uma daquelas longas e chatésimas músicas intermináveis e sem noção, com a letra inventada, às quais ela nos submete quase todos os dias nos últimos meses.

Todos deveriam dizer a ela que ficou sensacional aquela maçaroca de gel, tic-tacs, mini-piranhinhas, borrachinhas cor-de-rosa e mais gel, por favor, mamãe, porque a franja não ficou pra trás.

Com defensora da lei que institui a obrigatoriedade de se achar a Mariana incrivelmentemegablastersensacional, não entendi por que mulher de uns 40 anos fez cara feia e grunhiu pra minha pequena hoje, quando esta, no vestiário da natação muito cheio, perguntou bem, bem, bem alto: "desde quando tu tinge o cabelôôôô???" e toda mulherada ficou rindo.

Beijo gostoso

Minha filhinha levanta da mesa do café da manhã, Chega perto de mim, segura meu rosto e esfrega a carinha na minha bochecha. Comovida com aquele carinho tão fofo e meigo, comento: "Mas que beijo mais gostoso esse que tu me deu, filhota." E ela esclarece: "Não é beijo, mamãe, é que tu não me deu guardanapo. Agora tu é meu guardanapo." Ainda bem que iogurte, mamão e requeijão fazem bem pra pele.

sábado, 30 de agosto de 2008

Qual é o pente que te penteia?

Eu tentava pentear os cabelinhos longos e finiiiiiiinhos da minha filha e ela gritava, berrava, esperneava, gemia, se contorcia, parecia estar sendo esquartejada. Reclamava como louca. E eu cada vez me sentindo mais miseravelmente incapaz. E então ela me deu o golpe de misericórdia, dizendo: "mamãe, o papai não tem cabelo, nunca penteia o cabelo, e sabe pentear o meu cabelo muito melhor que tu. Que chato." Fiquei pra morrer. E na próxima vez que ela disser isso passo a máquina 2 nela sem dó nem piedade.

Muito amor

Minha filha (4,5 anos) concluiu hoje que quando as pessoas se gostam, elas têm um filho. E quando se gostam muito, muito, muuuuuito, elas têm dois filhos. Bonitinha ela.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Só pra porteiro?

Dizem que expliocação é pra porteiro de boate, mas tem horas que também serve na porta da escolinha.
Ontem, meu marido e eu estávamos entregando junto a filha na escolinha. Momento raro, a vida é corrida, sabe como é. Éramos a família margarina, que delícia.
Tia Helena, a senhora do lanche, nos recebe, nisso chega uma avozinha trazendo o neto, e logo mais outra mãe.
Na porta da escola, minha filha pergunta, obviamente bem alto: mamãe, quando tu chegar da aula de noite tu me acorda me dando marteladas?
Sorrisos constrangidos generalizados. Em tempos de monstruosidades com crianças, o pessoal estava quase chamando o ministério público, a polícia federal e o Batman também. Rapidamente meu marido gagueja algo sobre o grande, colorido e alegre martelo de plástico - bem molinho e que que faz quiii - que minha filha ganhou da avó.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mamadeira

Mais uma da série papo alheio.

Sábado, no ótimo Atelier de Massas no centro. Eu tentando escolher quais das maravilhas do bufê de antepastos iriam rechear o meu prato. Ao meu lado, duas amigas e a filha pequena de uma delas.
Uma comenta com a outra:
- Tenho que cuidar com o que eu escolho, porque fulano não pode mais comer nada com leite.
- Por quê? - pergunta a pequena curiosa.
- Por causa de uma coisinha que tem no leite e ele não pode mais comer.
E a pequena me sai com essa pérola:
- E mamar, pode?

domingo, 8 de junho de 2008

Lógica pura

Fazendo a mochilinha pra filhota levar pra escolinha na segunda-feira, deparo com as sapatilhas de minha rebenta devidamente autografadas. Com canetinha rosa, claro. Mostro a obra à autora e segue-se o seguinte diálogo:
- Filha, o que é isso?
- Uma sapatilha, ué.
- Tá, e isso aqui, em cima da sapatilha.
- Ai, mãe, é o meu nome.
- Tá, filha, e porque tu escreveste o teu nome na sapatilha.
- Pra saberem que a sapatilha é minha, né.
- Mas filha, teu nome tá dentro da sapatilha, a mãe já colocou.
- Tá, mas não dá pra ver quando eu tô usando a sapatilha, manhê.
Resultado: filha 4 x 0 mãe.

Cartão no umbigo

Da série "Frases Fantásticas Que A Gente Diz Quando Tem Filho":
- Filha, não tenta enfiar o cartão de aniversário no umbigo, tá?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Malinha

Volta e meia, nesses poucos anos como mami, eu sonhava em poder dormir um pouco mais, em não ser chamada aos gritos de madrugada, em não ter que esperar a cria dormir pra fazer uma série de coisas.
E agora que minha filhota saiu de casa com uma malinha vermelha levando o kit básico pra nanar longe de mim pela primeira vez, fico me perguntando: céus, o que vou fazer com toda a liberdade que a noite me promete?
Sugestões, dentro do limite do publicável, são bem-vindas.

sábado, 31 de maio de 2008

Faltou luz, graças a Deus

Como contei há poucos dias, eu tinha comprado um tênis de luzinha pra minha filha.
Hoje escrevo pra contar que eu posso ter perdido a noção, mas o cara lá em cima não perdeu (é Ele quem na verdade veste Prada). Porque o tênis de luzinha não serviu na minha filha. Nem os outros muitos pares com numeração acima, numeração abaixo e diferenças de modelagem. Nada serviu, nada encaixou, e olha que tentamos muito.
Brigada, papai do céu, por ter criado a luz, mas brigada, sobretudo, por ter nos dado a escuridão.

Mariana-san

Explicando, já há um bom tempo, sobre dia e noite pra minha filha - que hoje tem 4 anos -, falei no Japão. E daí pra frente várias vezes toquei no assunto, mencionando que o sol vai pra lá quando sai daqui, que o Japão é do outro lado do mundo e que se a gente cavar um buraco muito muito muito fundo, vai acabar no Japão.
Hoje num restaurante - que não era japonês - tinha uma mesa com uma grande família nissei bem do nosso lado. Observando nossos vizinhos, a Mariana perguntou: "papai, mamãe, são esses que moram embaixo da gente?"
Arigato, buda, papai do céu ou seja lá quem for, por momentinhos como esse.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Lu-luzinha

Nunca pensei que eu pudesse chegar a esse ponto.
Mas tenho que admitir: eu comprei um tênis de luzinha pra minha filha. E não é só isso. Comprei um tênis de luzinha e ainda por cima achei lindo.
Definitivamente a maternidade acaba com o bom senso das pessoas.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Tchau, Charlotte

A vida com filhos tem dessas coisas: de repente, duas famílias inteiras assistem juntas, e com o maior interesse, o que é mais grave, coisas como "A menina e o porquinho". Foi o que aconteceu neste final de semana.
Estávamos todos acompanhando os périplos do rosado leitãozinho. E aí - tragédia - morre Charlotte, a dona aranha que subia pela parede e era a melhor amiga do suíno Wilbour. Não resistiu à maternidade, coitada, e começou a falecer depois da postura do ovo.
Minha afilhada de 6 anos, canceriana até o último fio de cabelo, chorava copiosa e ruidosamente. Enquanto isso, a irmãzinha dela e a minha filha, ambas com 4, assistiam a cena, curiosas, e volta e meia cutucavam o luto da maiorzinha perguntando: "mas por que a Charlotte morreu?" Ao que a Fernanda respondia com um "buáááááá" reforçado, claro.
Os adultos tentavam consolar a Fê. E aí me veio a brilhante idéia de comentar que a própria Charlotte não estava nem um pouquinho preocupada, que ela não estava triste com a própria morte. Ao que a Fernanda respondeu: "mas eu tô!".
Não pude fazer mais nada a não ser chorar junto com ela.